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Tuesday, November 27, 2012

Cor de rosa

Eita, ano difícil! Mas, como aqui já foi dito um milhão de vezes, nem só de tristezas vive um ser humano. Dentre dias, semanas, meses de difícil adaptação para mim em SP (os homens da casa, diga-se de passagem, estão felicíssimos em qualquer lugar), uma grande surpresa: vamos trazer ao mundo uma menina! Uma surpresa foi essa gravidez, mas passado o choque, estamos curtindo que a nossa família vai crescer e teremos uma little girl para mimar.

O Tom não fala em outro assunto, o Ben faz questão de ignorar que vai perder o trono de mais novo e o papai -  ah, o papai! - esse só faz trabalhar.

Os enjôos vieram fortíssimos, provando como certa a teoria que gravidez de menina dá mais enjôo. O mal estar não parece querer ir embora e o sono é sem fim. Mas em abril do ano que vem teremos uma pequenina em nossos braços e eu, que comecei este blog antes mesmo de ser mãe, terei 3 pimpolhos pra cuidar. Como o tempo voa!

Mas agora me dá licença que tenho que ir ali tirar uma sonequinha!

Monday, August 20, 2012

Tchau!

Sempre soube que queria repetir a fórmula que havia dado certo. O mais velho entrou na escola com 1 ano e meio, lá em NY. A adaptação foi dura, mas passou e ele foi feliz no projetinho de escola que frequentava. Nos mudamos para o Brasil e depois de estar com escolinha escolhida para o grandão, fui a busca de algo no mesmo bairro para o pequenininho. Não encontrei nada que amasse, o que gostei não tinha mais vaga... Mas depois de 6 meses com um bebê super ativo em casa e tendo que tocar o meu próprio negócio, estava pronta para o próximo passo.

Sou super a favor de escolinha cedo. Acho que a criança se desenvolve muito, aprende a se socializar, a obedecer regras, come melhor, dorme melhor. É claro que nada é perfeito. Meu filho mais velho, por exemplo, se mostrou muito mais agressivo depois que começou a ir para a escola. E, é claro, ficam bem mais doentes quando passam a dividir os germes com os amiguinhos... Mas colocando na balança, acho postivo ir para escola ao invés de ficar em casa.

O bebê da casa, que se mostrava super pronto para a escola (chorava que não queria ir embora quando ia levar o irmão para estudar), odiou a experência. E por odiar entenda chorar por 4 horas consecutivas. Por dias. E eu, insegura com a minha escolha, passei duas semanas de inferno. Noites mal dormidas, dias mal comidos, mau humor. E resolvi ouvir a minha intuição.

Existe uma pequena historinha por trás disso tudo. O mais velho, em NY, passou por algo parecido. Já não era mais a primeira escolinha, que ao meu ver, fisicamente havia ficado pequena demais para a energia do menino. Queria algo mais estruturado, com menos cara de creche. Para que não sabe, criança só começa a estudar de verdade nos EUA aos 5 anos. O meu tinha um pouco mais de 2 na época, então as soluções eram sempre um pouco "alternativas". Resumindo a história, coloquei numa única escola que encontrei que atendia as minhas necessidades, apesar de não ter gostado muito dela. E foi terrível. Estava com um bebê recém-nascido em casa e o mais velho, que estava passando por um período delicado, não teve nenhum suporte da escola. Mordeu colegas em 3 episódios e foi colocada na mesa a possibilidade dele ser expulso da escola. Simples assim. Enfim, consegui reparar o erro a tempo e ele saiu da escola que ele mesmo chamou de "sad school". Foi para uma escola ótima e foi feliz o restante do tempo que moramos na Big Apple.

Já com o pequeno, não tenho nada de concreto para falar da escola. Foi assim somente um feeling ruim mesmo, alguma coisa que não fechava. A professora não se mostrou ter nenhuma paciência com criança durante o período da adaptação, faltava simpatia, carisma, amor. E eu não quis pecar duas vezes. Pensei, pensei, discuti com o marido, pensei mais um pouquinho e tirei o bichinho da escola.

Não sei se um dia achei que acreditaria tanto em intuição como acredito hoje... Provavelmente não. Mas é inexplicável dizer o que senti durante as duas semanas em que ele foi para aquela escola. Parecia que algo estava errado e, depois que me dei conta que eu poderia mudar aquilo, não tive dúvida.

E vocês, já passaram por situação parecida com os babies de vocês?

Friday, June 29, 2012

Carinho por todo lado

E como eu já falei por aqui, nada na vida é só ruim (e nem bom). Tento viver verdadeiramente todos os momentos, sem fingir que a tristeza ou a alegria chegaram. Desse vez vim dividir momentos felizes.

Desde que voltei pro Brasil conheci muita gente legal, principalmente as pessoas que lidam com as nossas crianças. Na escolinha, uma bilingue fenomenal, o Tom experienciou o amor de uma professora fantástica, que teve papel essencial na nossa mudança para o Brasil. A querida Teacher Mel recebeu o Tomzinho de braços abertos, cheia de carinho e paciência com o pequenino que chegou com a cabeça confusa e sem conhecer ninguém. Durante esse primeiro semestre de Brasil ele voltou para casa todos os dias com um sorriso no rosto e muita história boa para contar. Hoje, na hora da despedida (o pequeno vai para uma escola maior no segundo semestre), a querida professora chorou ao se despedir de mim e do meu menininho. Meu coração apertou ao ver que ela não vai mais fazer parte do nosso dia-a-dia. Uma professora de ouro como ela, a gente carrega no coração pra sempre. Eu mesma me lembro da Tia Anita até hoje, minha professora querida da primeira série.

Outra figura que me fez me sentir melhor nos dias ruins foi o Seu Luiz, o porteiro da escola. Paciente, bem humorado, amigo. Me ajudava com o Ben quando não conseguia uma vaga para saltar e buscar o maior. Um verdadeiro gentleman. Hoje trocamos telefones e eu espero vê-lo muitas vezes na vida ainda. Uma pessoa boa que faz um dia cinza ficar colorido.

Na natação não é diferente. Todo mundo ajuda, sorri, conversa. O professor foi mencionado inúmeras vezes durante as férias (quer melhor sinal do que esse?) e faz parte das histórias do Tonti como se fosse membro da família.

Ai de mim se não abaixo o vidro para as crianças darem oi para o segurança do prédio. Outro dia esqueci e o mais velho subiu até o sétimo andar aos prantos. E eles retribuem sempre com um sorriso no rosto. Criança sente quem gosta de criança. E eu fico toda feliz em ver os relacionamentos deles com pessoas legais aflorando.

Pois é, aos poucos as coisas vão se encaixando. Brasileiro tem mesmo um jeitinho carinhoso com criança. Mas não tem jeito, acho que meu coração, apesar disso tudo, é novaiorquino.

Cartinha da Teacher Mel para o menino do meu coração hoje:

" Dear Thomas,
May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let the others do for you


May you build a ladder to the stars
And climb on every run
May you stay forever young


(Forever young - Bob Dylan)


Keep shining, my little star!
Love, Mel."

Tem como não chorar?

Tuesday, May 08, 2012

O exército de branco - parte II

Depois do bafafá do último post, que eu já antecipava, refleti muito sobre o assunto "babás". Quero deixar claro aqui que não tenho nada, absolutamente nada, contra babás. Acho que nenhuma mãe consegue cuidar dos filhos 100% sozinha. Existe sempre o dia que você fica doente, precisa ir resolver aquele problemão no banco, fazer matrícula do filho mais velho na escola... Eu mesma, tenho abusado da ajuda extra que posso ter desde que voltei ao Brasil. Não tenho uma pessoa que cuide exclusivamente dos meus filhos, mas hoje em dia, por exemplo, posso me dar o luxo de correr, coisa que não fazia há mais de 3 anos. Graças a ajuda da moça que trabalha comigo aqui em casa e desce com o Ben para o parquinho, posso dar uma corridinha e cuidar dos meus quilinhos extras. No entanto, sou contra gente que acha que contratar uma pessoa para criar o filho é o que deve ser feito. Acho que os papéis estão completamente invertidos por aqui.

Outro dia, no local onde os meninos fazem natação, uma babá simpaticíssima com a qual sempre bato papo falou para mim assim: "Dona Juliana, outro dia eu e o Orlando (motorista da casa onde ela trabalha) estávamos falando da senhora. A gente acha tão bonito ver uma mãe cuidando de um filho..." Caí na gargalhada. Hein? Bonito uma mãe cuidando de um filho? Aí ela ainda completou: "Mas é mesmo, nunca vi aqui nenhuma mãe cuidar do filho o dia todo, como a senhora faz, só com babá".

Vai me dizer que não tá tudo torto?

Friday, April 27, 2012

O exército de branco

Nem sei se alguém ainda lê esse blog, mas ele muitas vezes funciona como uma válvula de escape. Pode me odiar quem não gostar desse post. Tenho certeza que muitas pessoas vão.

Mudei pro Brasil sem querer mudar pro Brasil. Vim porque tive que vir. Estava feliz em NY, muito feliz, obrigada. Estava satisfeita com a rotina que tinha com os meus filhos, com os parques que frequentávamos, os museus, os restaurantes. Estava feliz com os não inúmeros, mas verdadeiros amigos que tínhamos. Tinha finalmente achado uma escolinha que achava boa para o meu filho. E, mesmo assim, depois de quase 10 anos nos EUA, tive que arrumar as tralhas e voltar para "casa".

Cheguei em São Paulo animada. Ah, não vai ser tão ruim assim, pensei. Quem sabe com filhos/família o lugar em que se está nem importe tanto... Pura ilusão! O primeiro mês foi uma confusão total procurando apartamento, vivendo num hotel, coordenando a chegada da mudança. E depois, a ficha caiu. E aí veio a rotina. O dia-dia daqui de SP é lotado de babás, o que não é novidade para mim. Em NY elas também estão por todas as partes: parques, playgrounds, aulinhas, entrada e saída de escola. Elas não usam uniforme e revezam o cuidado das crianças com os pais. Na maior parte das vezes, elas entram em cena quando os pais trabalham o dia todo. Aqui não. Aqui TODO MUNDO tem babá, quem trabalha ou não. E eu sou vista como uma ET. A ET que pode ter uma babá, mas não tem. A ET que vai ao supermercado com dois pirralhos a tiracolo. A ET que acorda as 5 da manhã quando algum ser pequenino resolve madrugar.

Já sabia que seria inserida nesse contexto. Só que achei que seria muito mais simples. Achei que eu não iria me incomodar. Mas a questão é que elas se incomodam. Elas não podem repreender da forma que fariam se eu - a intrusa - não estivesse ali, elas não podem falar no telefone, elas não podem bater papo livremente entre si. Não me interpretem mal, vejo ótimas babás por aqui. Mas também encontro péssimas. E aos montes.

O que vejo acontecendo por aqui são mini seres humanos com serviçais a tiracolo. "Fulana, sobe e pega meu patinete. Eu falei que quero andar de patinete!!!" E fulana sobe e pega o patinete. "Fulana, agora quero cair na piscina." E lá vai ela atrás da roupa de banho. Outro dia convidamos um amiguinho para brincar aqui com a gente e a babá me informou que ele não estava "a fim" de vir. Vejo a educação passar longe e fico preocupada com as pessoas que teremos que lidar nos próximos anos. Que adultos essas crianças vão virar, gente?

A verdade é que estou odiando tudo. Isso aí, tu-do! Acho as pessoas metidas, acho o trânsito um caos, tudo é caro pra caramba, tudo é complicado... As pessoas se metem em tudo, o serviço é ruim. Amarga? Sim, bastante. Semana passada tirei um dia inteirinho para chorar.

Nunca havia morado em SP antes e estou um pouco chocada com a exibição das pessoas com um bom nível de vida nessa cidade. Todo mundo gosta de deixar bem claro o que tem, onde mora, para onde viaja nas férias, que grife veste. Isso me choca muito, depois de anos de convívio com pessoas que não faziam a menor questão de se provar socialmente.

Virei cidadã de lugar nenhum. E agora, o que vou fazer?

Vai me desculpar, mas as vezes tenho a impressão que meu avião me deixou no planeta errado.