Tuesday, July 13, 2010

Explicado

Agora eu entendi. O problema sou eu. Eu que não sou nem brasileira, nem americana. Eu que virei uma mutação humana e não me identifico 100% com lugar algum. Eu que choco as pessoas no Brasil ao contar que estou grávida pela primeira vez no terceiro mês de gestação.

Essa nossa estadia no Brasil tem me mostrado o quanto mudei. Parece que caí de para-quedas no universo brasileiro infantil. Virei mãe nos EUA e não sabia nada desse mundinho pais/filhos brasileiro. Fico chocada com a antipatia das mães (poucas) nos parquinhos quando tento puxar assunto. Fico chocada com a quantidade de babás (muitas muito boas, por sinal), todas de branco e bem treinadas. Fico chocada com as cadeirinhas infantis nos restaurantes (todas sem cinto de segurança). Fico chocada com o preço dos brinquedos, das roupinhas, das comidas.

Fico feliz da vida quando levo o Thomas para tomar sucos naturais na rua (ele está apaixonado por qualquer suco - e eu também!). Fico feliz da vida quando vejo a simpatia das pessoas brincando com ele em qualquer lugar que a gente vá. Fico feliz da vida quando vejo os meus pais felizes por estarem com ele. Fico feliz da vida quando vejo ele entrosado com os filhos dos meus amigos. Fico feliz da vida quando ele abre um sorrisão na praia ou na piscina.

Ai, Deus, será que não dá para a gente criar um país híbrido, não?

9 comments:

Carol P said...

Levei um susto assim quando cheguei no Brasil tambem, e o pior que depois de 6 meses de ferias para Londres e ainda nao me reacostumei com certas coisas do Brasil.

Adriana Stock said...

Nossa, concordo com cada palavra...

Rafaela said...

Ju,
to AMANDO "viver" agora a experiencia que tenho certeza que vou viver quando for ao Brasil.
Concordo com cada palavra que voce fala!
continua contando tudo!
um bj,
Rafa

Fernanda said...

Vc falou em poucos paragrafos o por que foi tao dificil a minha volta. Tao dificil que nao fiquei no Brasil. Me dei conta o quanto eu tinha "voltado americanizada" e que nunca vou poder me sentir por inteiro em um lugar.

Anonymous said...

Agradeça sempre a DEUS pela vida que tens nos Estados Unidos e nunca jamais reclame,pois es uma privilegiada.Ser mae aqui no Brasil é dureza e sendo pobre como eu e tendo q criar 3 filhos com menos de 5 salarios minimos e sozinha,porque nao posso nem pagar uma diarista... e tipo fui comprar um troninho e na loja so tinha duas opçoes,um porcaria por 20 reais e um otimo por 200 reais,fazendo uma pesquisa na internet descobri que o de 200 reais é importado e custa somente 18 dolares nos EUA,é mole?

Carla Cavellucci Landi said...

Ju,
Pois eh, eu mudaria pra este pais hibrido tbm! Seria o paraiso!!

Monica Mello said...

Oh Juju, nosso eterno dilema não é? Sinto o mesmo! tanto o que disse nesse post como no anterior!

bjs!

ps: qdo volta? c recebeu meu email?

JULIANA said...

vc ainda está por aqui?
nosso café ainda não saiu!
me escreve no julianameziat@gmail.com se estiver a fim de dar uma papeada!

Bjs

Anonymous said...

Moro fora do Brasil desde agosto de 2005. Primeiro morei na Franca em Paris e desde junho de 2008 moro em Londres. Ter minha primeira filha Daphne em Londres foi uma experiencia unica - a falta de comforto do sistema publico de saude ingles e a distancia de amigos e familia. Mas a vida que temos com ela em Londres eh otima. Nao tenho baba, e tambem me choco com o exercito que vejo no Brasil... Se puder, nao volto mais. O pior para mim eh que ser mulher no Brasil eh muito mais dificil que ser homem, apesar de estarmos no ano 2010. Tenho a sensacao de viajar no tempo, para o passado, quando volto. Quero que a Daphne se libere...por isso quero que seja educada aqui !