Friday, April 27, 2012

O exército de branco

Nem sei se alguém ainda lê esse blog, mas ele muitas vezes funciona como uma válvula de escape. Pode me odiar quem não gostar desse post. Tenho certeza que muitas pessoas vão.

Mudei pro Brasil sem querer mudar pro Brasil. Vim porque tive que vir. Estava feliz em NY, muito feliz, obrigada. Estava satisfeita com a rotina que tinha com os meus filhos, com os parques que frequentávamos, os museus, os restaurantes. Estava feliz com os não inúmeros, mas verdadeiros amigos que tínhamos. Tinha finalmente achado uma escolinha que achava boa para o meu filho. E, mesmo assim, depois de quase 10 anos nos EUA, tive que arrumar as tralhas e voltar para "casa".

Cheguei em São Paulo animada. Ah, não vai ser tão ruim assim, pensei. Quem sabe com filhos/família o lugar em que se está nem importe tanto... Pura ilusão! O primeiro mês foi uma confusão total procurando apartamento, vivendo num hotel, coordenando a chegada da mudança. E depois, a ficha caiu. E aí veio a rotina. O dia-dia daqui de SP é lotado de babás, o que não é novidade para mim. Em NY elas também estão por todas as partes: parques, playgrounds, aulinhas, entrada e saída de escola. Elas não usam uniforme e revezam o cuidado das crianças com os pais. Na maior parte das vezes, elas entram em cena quando os pais trabalham o dia todo. Aqui não. Aqui TODO MUNDO tem babá, quem trabalha ou não. E eu sou vista como uma ET. A ET que pode ter uma babá, mas não tem. A ET que vai ao supermercado com dois pirralhos a tiracolo. A ET que acorda as 5 da manhã quando algum ser pequenino resolve madrugar.

Já sabia que seria inserida nesse contexto. Só que achei que seria muito mais simples. Achei que eu não iria me incomodar. Mas a questão é que elas se incomodam. Elas não podem repreender da forma que fariam se eu - a intrusa - não estivesse ali, elas não podem falar no telefone, elas não podem bater papo livremente entre si. Não me interpretem mal, vejo ótimas babás por aqui. Mas também encontro péssimas. E aos montes.

O que vejo acontecendo por aqui são mini seres humanos com serviçais a tiracolo. "Fulana, sobe e pega meu patinete. Eu falei que quero andar de patinete!!!" E fulana sobe e pega o patinete. "Fulana, agora quero cair na piscina." E lá vai ela atrás da roupa de banho. Outro dia convidamos um amiguinho para brincar aqui com a gente e a babá me informou que ele não estava "a fim" de vir. Vejo a educação passar longe e fico preocupada com as pessoas que teremos que lidar nos próximos anos. Que adultos essas crianças vão virar, gente?

A verdade é que estou odiando tudo. Isso aí, tu-do! Acho as pessoas metidas, acho o trânsito um caos, tudo é caro pra caramba, tudo é complicado... As pessoas se metem em tudo, o serviço é ruim. Amarga? Sim, bastante. Semana passada tirei um dia inteirinho para chorar.

Nunca havia morado em SP antes e estou um pouco chocada com a exibição das pessoas com um bom nível de vida nessa cidade. Todo mundo gosta de deixar bem claro o que tem, onde mora, para onde viaja nas férias, que grife veste. Isso me choca muito, depois de anos de convívio com pessoas que não faziam a menor questão de se provar socialmente.

Virei cidadã de lugar nenhum. E agora, o que vou fazer?

Vai me desculpar, mas as vezes tenho a impressão que meu avião me deixou no planeta errado.

35 comments:

Adriane J said...

Te entendo totalmente... se eu tivesse que voltar ao Brasil algum dia eu acho que seria a mesma coisa...
Tem coisas que a gente acostuma e que não é fácil voltar atrás... Tipo educação, privacidade e tranquilidade...
Tomara que vc ache seu nicho nesse mundo louco... :)
Abraço!

Alex Bicalho said...

Entendo completamente. As pessoas me acham estranho quando eu digo que nao volto. Acham estranho quando elas comentam que visitaram o pais e adoraram - como eh que eu pude deixar este pais para vir para ca. O que acontece eh que eles nao viveram no pais, so visitaram.
Siga forte que um dia ou voce acostuma ou muda de volta pro primeiro mundo :)

elaine said...

Entendo completamente. E triste isto, porque as pessaos nao entendem a diferenca... por aqui nos temos uma juda, no BR as pessoas ainda tem mucamas e por isto acham o cumulo a crianca guardar a mochila qdo chegam da escola, porque e o trabalho da baba... o mesmo acontece com abandeja deixada na pra de alimentacao do shopping, afinal e servico da faximeira e por ai vai... Triste, muito triste... As pessoas nao valem por aquilo que sao, mas por aquilo que podem comprar... Thank God I live im NJ. Boa sorte.:)

Raquel said...

Ju,

Te entendo tanto, passei e passo por isso! Penso exatamente como voce, ontem fui ao pediatra de Antonio e sou sempre a única sem "a serviçal" ao lado, me sinto orgulhosa disso, mas não sou vista assim!
Bonito aqui é ter babás, fazer festas infantis megalomaníacas de aniversário, onde a mãe não enrola um brigadeiro ou escolhe pessoalmente as musiquinhas que irão tocar!
No final, só fica mesmo alegria em sermos diferentes e em podermos fazer de nossos filhos pessoas melhores! Beijinhos prá vcs

Raquel

Anonymous said...

Olha, em NY voce tambem vivia reclamando de trabalho que os meninos davam, de cansaco, de tudo. Agora que voltou e ta mais perto da familia, reclama tambem. SInceramente, vc q nao esta bem e ja faz tempo!!! esse blog virou um muro das lamentacoes, eu hein!! parece que nao reconhece o que a vida te trouxe de bom...

Anonymous said...

Eu entendo bem o que vc esta dizendo..porem nos EUA tb nao eh diferente. A unica diferenca aqui e que a classe media alta ,nao tem condicoes de ter servicais como no Brasil.Se tivessem agiriam do emsmo modo. Eu acho que essa coisa do materialismo sem limites eh uma invencao americana que foi exportada para o resto do mundo. Acho que aqui eh tem muito esses esnobismo tb, porem eh feito de uma maneira mais hipocrita com seus proprios codigos. Por exemplo, as escolas particulares e universidades(carissimas), o carro que vc dirige , aonde vc mora e as griffes tb. Vc tem que seguir um padrao determinado senao eh considerado um "Looser".

Love, Ink said...

Pessoal, obrigada pelas palavras de incentivo. Nada fica ruim pra sempre e nem é de todo ruim. Já, já passa a adaptação e as coisas melhoram.

No entanto, sempre me questiono, até mesmo em posts, sobre a exposição criada em ter um blog. E com esse comentário mal-criado que, anononimamente - é claro, deixaram aqui hoje, aumenta ainda mais a minha dúvida. Ninguém precisa concordar comigo. Não tenho problema algum com isso. Tenho problema com quem discorda comigo, não deixa o nome e ainda é mal educado. A vida não é um mar de rosas, nem aqui, nem na China (expressão que por sinal cai muito bem nesse post). A minha vida é verdadeira, e assim é o meu blog, com posts alegres e tristes. Quer ler mil maravilhas, acessa blog de moda.

Vivo cansada, sim, aqui e onde quer que esteja, pois quem cuida de criança 24/7 vive assim.

Então eu peço, com toda a educacão do mundo, se você, que eu não sei o nome, acha que o blog é um "muro de lamentações" para não voltar mais. Não escrevo para agradar ninguém. Sou verdadeira com a pessoa que eu sou e a vida que eu vivo.

Obrigada.

armário de cores said...

Juju, tudo isso é porque vc encontrou o seu lugar e teve que deixá-lo. Eu não posso comparar Brasil x EUA, porque não conheço, só vivi aqui. E numa coisa eu concordo com vc: as crianças estão cada vez mais sem limites. Os pais tem que saber que quem os colocou no mundo foram eles e não as babás. E muitas vezes, por causa do cansaço do dia a dia delegam suas funções para as babás, escola, natação, inglês... ou por não entederem que ser pai e mãe é abrir mão de muitas coisas. Não fica assim não amiga, pelo menos vc é uma mãe de verdade e seus filhos tiveram essa sorte, de crescerem aconchegados no seu peito, de saber que são amados. Isso é o mais importante. Eu tenho uma pessoa que fica com as meninas, porque trabalho o dia todo. Mas sempre falo pra elas, que ela não é a empregada delas, é a amiga. Então ensino a guardarem suas coisas, a não deixarem nada espalhado, a pedirem por favor, agradecer, dar bom dia, respeitar. Esse é o ponto. E tudo vai muito bem lá em casa. Elas amam a Juju, e ela por sua vez tem um carinho enorme por elas. Acho que tudo depende de nós mesmo. Dos pais. Isso vai passar, porque tudo passa. E nós vamos nos adaptando, talvez não 100%. Mas olha pro outro lado, porque acredito que a gente atrai semelhantes, e vc como uma pessoa maravilhosa que é, vai acabar se encontrando tb. Um grande beijo, e quando vier a Vitória, vamos marcar um encontro tá?

Anonymous said...

Juju , acho o seu blog muito legal. Nao fui eu a anonima que deixou recado malcriado. Sou a anonima educadinha, a segunda..hehehe. Anonima so para manter o privacidade. Mas esse assunto seu eu acho muito interessante. Pq moro aqui nos EUA , na east coast. E posso tb fazer o mesmo tipo de comparacao que vc esta fazendo. Olha , nao adianta agente ficar lamentando o lugar que deixou para tras. Eu sei que NY deve ser fascinante. Porem , eu sei que eh carissimo tb. E de quebra vc nao pode ter as vantagens que o Brasil ainda oferece para quem tem um boa condicao. Aproveita isso e tira umas ferias de ser mae 24/7. Pq isso eh muito chato. Eu sou mommy aqui e daria tudo por um babazinha vestida de branco, claro que nao 24/7, porem de vez em quando, nao cairia mal. Curte o conforto que o Brasil proporciona. E vai se esbaldar com o maridinho.Como eu falei no outro comment, a competicao eo materialismo estao muito presentes na sociedade americana. Nos aprendemos com eles. Infelizmente o Brasil esta ficando assim tb. Eh uma pena , pq nao era assim. Boa Sorte!

Mara said...

Juju, você descreveu perfeitamente a realidade aqui. Pura verdade em cada palavra. E eu sei bem pelo que você está passando.

Cuidar de dois filhos pequenos sozinha é estressante. Mudança internacional é estressante (já passei por 4, duas delas com criança). Essa fase é um caos! Mudei ano passado e também me sentia um ET. Posso ter babá mas não tenho por opção. E elas, as babás, nos olham com certa reprovação quando nos veem fazendo o "trabalho" delas. Outras mães me acham maluca, algumas me olham com pena. Prefiro ficar na minha, porque elas não entenderiam se eu explicasse.

Bom, vc não pediu, mas essa lista me ajudou e ainda me ajuda a evitar stress em mercados e afins:
www.paodeacucar.com.br - Tenho listas de compras prontas. Eles ligam para oferecer similares quando não tem algum produto em estoque. Uso apenas para compras pequenas (opção de entrega expressa).
www.sondadelivery.com.br - uso para compras maiores e agendo a entrega. Eles estornam o valor dos produtos que faltarem (raro acontecer). Ultimamente as frutas e verduras básicas tem sido melhores que as do Pão de Açucar.
www.frutasdeliveryvilamadalena.com.br - Não sei onde vc mora, mas eles entregam na zona sul e zona oeste. Na dúvida, ligue pra eles, geralmente atendem bem e vem tudo fresquinho.
Casa de carnes Santa Bárbara 2176-8400 Fica no morumbi, aceitam pedidos por telefone e entregam em casa. Eu encomendo tudo em porções pequenas pra congelar.
www.onofre.com.br Farmácia pela internet, entregam em até 4 horas em São paulo. Entrega baratinha, mas não tem grande variedade, bom para remédios que não precisam de receita médica.
www.farmadelivery.com.br - Para alguns tipos de cosméticos e coisas de farmácia.
www.emporiodapapinha.com.br/delivery.html - Papinhas congeladas. Tem algumas opções de pratos congelados tb, tudo orgânico. Tem que ser agendado e pago na entrega.
www.diskcook.com.br/delivery/sao-paulo-sp/ - para a hora do desespero! hehehe

Sim, é mais caro. Eventualmente decepcionam. Mas em geral nos poupam de muita chateação.
E não deixa o blog não, fiz isso e me arrependi, hoje gostaria de reler as situações que passei, o que senti. A gente supera e até ri de certas coisas depois.
Boa sorte no novo lar, colega ET!

Love, Ink said...

Mara, que simpática você. MUITO obrigada pelas dicas, tenho certeza que vão me ajudar demais.
Você mora aqui em SP também, né? Que bom! Estou precisando conhecer mais mães com o meu perfil por aqui. Quem sabe a gente não marca um encontro? Obrigada mesmo.

Love, Ink said...

Lelezinha, você é um anjo. Vamos marcar de nos encontrar, sim. Em Julho vou passar as férias na "casa da vovó"e temos que marcar programinhas dos meus boys c as suas girls. Um beijo

Anonymous said...

Mas é isso que não faz sentido... Se cansa tanto ser mãe e cuidar de 2 - que nao questiono, deve cansar mesmo - por que nao aproveitar que está no Brasil e usufruir da parte boa? Ta cheio de creches excelentes em SP e tem babás boas tb, o que tem que saber é como lidar com elas... Não precisa ser do mesmo jeito que todo mundo faz. Sério, é muito simples o seu problema.

Liliane Arend said...

Querida,
Estamos num eterno dilema não é mesmo?

Estou morando em Londres e ainda não me adaptei, nos dias de chuva choro sentindo falta da estrutura que eu tinha no Brasil. Quando estou no Brasil acho um saco ter que ter carro pra tudo ...
Hoje me sinto 'perdida', ainda não fiz amigos que tenham a mesma rotina que a nossa, a rotina de quem tem filhos ... tenho amigos 'solteiros' casados mas sem filhos, então eles nos ligam no domingo as 3 horas da tarde para almoçar ... me sinto frustrada. No dia em que aceitamos o convite eles vieram aqui pra casa e foram embora 1 da manhã ...

Querida, só coloquei umas coisinhas minhas aqui para te mostrar que não estás sozinha e que é muito melhor colocar pra fora do que guardar.

Olha eu tenho 2 amigas maravilhosas em São Paulo que moram em Moema, com filhos pequenos. Se vc quiser posso fazer a ponte entre vocês para marcarem um café.

Se quiser dicas de lugares pra ir posso te mandar, tem um lugar que adoro que tomar café da manhã nos finais de semana, é a Frutaria São Paulo, eles tem bolos sem lactose e coisas mto gostosas.

beijo
Liliane
meu email liliane.arend@uol.com.br

londrescomfilhos.blogspot.com

Mara said...

Juliana, vou te escrever no hotmail de contato da love-inc.

Pra quem comentou sobre querer a babá de vez em quando, não ter babá não significa não ter ajuda. Uma ajudinha é bem-vinda sim, até porque as vezes precisamos de um tempo só para nós mesmas.
O que me chocou aqui foi o exagero e a forma como as crianças são simplesmente deixadas aos cuidados de um estranho, em muitos casos sem necessidade. Cama da babá é item básico nos quartos das crianças. Tive bebê ano passado e no hospital presenciei uma mãe com a babá para cuidar do recém-nascido. Detalhe: maternidade com um ótimo berçário! Sabe a hora do primeiro banho? Tarefa da babá. Acho que isso resume tudo.

Nívea said...

Eu adoro seu blog. Nao faço idéia de como cheguei aqui, só sei que ao ler o primeiro texto eu pensei, "ainda bem, alguém pra falar da maternidade sem romantismo nem mascaras". Educar um ser humano nao eh mesmo nada fácil. Trabalho o dia inteiro e nunca tive baba, coloco a mão na massa, chego do trabalho exausta e leio historinhas, coloco roupas na maquina, vou ao supermercado, me viro! Conto com a ajuda da minha mãe, mas enfrento as minhas responsabilidades porque quero que o meu filho seja o resultado do meu esforço e do meu marido. E ele eh! Ele eh nosso reflexo, um companheirao de aventuras, mas que já fez lá seus espetáculos. Já chorei escondida numa festa porque era a única mãe na sala de brinquedos, porque, pejorativamente, as pessoas diziam que eu ia a todos os eventos com meu "pacote".

Carol Barros said...

Juju, entendo bem o que vc sente. Isto já me incomodava quando eu morava no Brasil. Pouco antes de ter filho, falei que não queria babá dormindo e todo mundo me falou que eu não aguentaria...como?? e nos paise desenvolvidos?? No Brasil, graças a imensa desigualdade e injustiça social ´que se pode ter essa ajuda excessiva e o pior, as mães delegam para as babás a criação de seus filhos, porque estão todas trabalhando para manter as necessidades 'essenciais'. Tudo uma inversão de valores.
Agora, morando em Boston, vejo que realmente tem muita coisa errada...
Mas tem muita coisa boa tambem, tem gente legal, tem lugares bacanas, etc; vc só tem que tentar se acostumar e tirar proveito dessa mudança.
Eu to te dando um conselho que vai servir pra mim tambem, em um ano e meio , volto pra SP...ai, ai...
Bjs

Carol Barros said...

Ah, postei o quartinho dos seus filhotes no blog. Adoro!!
Bj
www.bebecomestilo.com

Caryorker said...

Nossa Ju... se quando eu vou de férias sinto exatamente isso em relaçao a SP, imagina morar? caraca... RJ está igualll minhas amigas levam babá para a praia! OI?
Hang on, amiga, na vida tudo passa e se adapta. Foca nos meninos na sua casa e no SEU mundo... mesmo que vc seja um ET, que seja um ET honesto com vc mesma e seus filhos.

estou aqui para oque precisar.


beijos,
Rafa

Ana Paula said...

Oi Juliana! Espero que esteja melhor. Mesmo sendo paulista e gostando muito daí eu entendo muito o que vc. está dizendo. Qualquer adaptação é difícil ainda mais em um "cenário" desses onde qualquer uma de nós, que põe a mão na massa, se sente um ET. Mas não esqueça que estamos certas! Os filhos não pediram para vir ao mundo, e são os pais que tem que cuidar, educar, não o exercito branco. Sempre pensei em voltar retomar minha carreira aí e agora chegou um ponto que eu poderia se quisesse porque o meu marido fica 50% do tempo ai, 50% aqui e não faria diferença onde eu estivesse. Não volto porque aqui tenho uma vida mais próxima das crianças, e a carreira de advogada (que não desisti) continuo procurando um meio termo por aqui mesmo. Cuidar de criança 24 horas por dia é duro e sacrificante. Mas só quem faz isso sabe as alegrias que temos mediante os sacrifícios.
Posso dar um palpite? Acho que vc. tem que tentar encontrar mães como vc. aí. Porque elas existem. Minhas melhores amigas da vida inteira vivem em SP sem baba. Podem ter e nao tem. Eu posso te apresentar para elas se vc. quiser.
E olha Vc. sente falta daqui e NY também sente falta de vc. O aniversario do Luca está chegando e agora que ele tem "voz" quer festa e escolheu o tema da musica preferida. Old MacDonald had a farm. Vc. aqui seria uma mão na roda.

Beijo e espero que fique melhor,

Ana Paula

Carol P said...

Juliana,
Acredite em mim, sei exatamente o q vc esta passando.
Acho ridiculo quando escuto, imagina viver sem minha estutra emprega e aba. realmenete deve ser quando nao se sabe cuidar de filho sozinha.
Condordo que temos q ter nosso me time, mas isso nao significa jogar as reponsabilidades de criar os filhos na mao de alguem.
Este eh um assunto polemico, e nao entendo pq ja q outor spaises na america do sul como urugiau e argentina tambem nao tem essa necessidade desenfreiada de delegar.
Escevo o blog motherlovedatabase.com e tem uma coluna q se chama mother do dia, aonde convido maes para escreverem textos. Gostaria de saber se vc nao gostaria de participar. Seria fantastico ter sua visao a respeito deste tema por la.
Carol P

Judy Kennedy said...

Oi Juliana, fico sp mto triste qdo abro um blog e vejo q a pessoa está indo embora dos EUA e voltando p/ o Br. Às vezes até choro pq ñ entendo mto isso. Morei em NY e nunca vou esquecer esse país q me acolheu, q é minha 2ª pátria. Tb voltei mas mto contrariada, digo pro marido "vamos voltar" mas ele odeia frio e se sente bem aqui. Moramos numa cidadezinha minúscula e a vantagem é q aqui num tem bandido mas qdo precisamos de algo mais eu encaro Sampa e fico sempre estressada c/ medo de ser assaltada.
Qto às crianças criadas por babás eu tb tenho ressalvas. Não acho certo. Ter alguém pra ajudar eventualmente OK mas todo dia eu ñ confio. Desejo boa sorte a vcs e quem sabe um dia vcs possam voltar. Bjs....judy

Anonymous said...

Juju, sou eu a Paty. Olha entendo o que voce sente e por isto que eu rezo para poder nao voltar. Cansei. nos ultimos anos voltei e fiquei so uma semana cada vez. As pessoas nao tem nocao o quao pessimo e. Nao quero que as meninas convivam com isto. Se eu tiver que voltar, eu volto. Mas os meios eletronicos estao aqui para voce desabafar e F**** quem nao gostar, o blog E SEU e voce faz o que quiser, le quem quer. ME MANDA SEU TEL plsssss que eu quero falar com voce, estou MORRENDO de saudades.... beijos enormes, de LA.

Anonymous said...

Vc está certa, Juliana. Também tive muita dificuldade quando voltei de NYC e fui morar em SP. Não acreditava no que via. Tenho muitos depoimentos chocantes.
Não abandona o blog não. Vc é muito inteligente e muita gente gosta de ler os seus posts.

Paula Duailibi Homor said...

Ju,

Vim aqui te visitar, pois me disseram que estava sendo difícil a sua adaptação. Eu imaginei que seria assim, principalmente pelo fato de vc não ter voltado para "casa" e sim para uma cidade feia e difícil de viver.
Digo "feia e difícil", pois nasci e morei ai a maior parte da minha vida.
Vc mesma sabe que é um processo e que daqui a pouco vc se acostuma. A vida é assim mesmo e se posso te dar uma dica: Em Roma como os Romanos!
Aproveita o que SP tem de bom. Foca no bom e tenta minimizar ou tentar "ignorar" o ruim.
More perto da escola dos meninos. Fique sócia de um clube perto da sua casa. Facilite sua vida. Viaje nos finais de semana. Se pra praia tem mto transito, va para o interior. Sair de SP nos finais de semana tem um efeito super terapeutico.
Procure mães mais parecidas com vc. Essas, minha cara, nao estarão com filhos em escolas bilingues. Isso vc pode ter certeza. Procure por escolas progressivas, onde a maioria dos pais sao profissionais liberais como arquiteos, jornalistas, escritores e nao tanto banqueiros e grandes empresarios. Posso te passar depois uma lista com o nome de várias.
Enfim, it is what it is. Curta o lado bom de power her espontaneidade com set marido e said qq note para to mar um drink, ir ao cinema ou jantar fora sam her sue se programer com 1 semana de antecedência.
e finalmente: Mantenha distância dessas mulheres que te fazem sentir mal. Cuide de vc!
um bjao e nos vemos em breve!

Carla Cavellucci Landi said...

Ju, adorei seu depoimento, mesmo nao gostando de saber q vc estah triste. Olha, eu tive filhos em SP ha 14 anos e ja era assim... lembro que qdo o Lu nasceu (isso ja ha quase 18 anos) eu falava que filho meu eu tinha que criar. Fiquei cansada? Sim. Tive olheiras? Muitas. Minha vida social ficou limitada? Tambem. Logico que os avos estavam presentes para dar uma maozinha. mas hoje, filhos ja praticamente 'criados", posso dizer que sou a mae mais tranquila. Pq sei onde meus filhos vao, o que fazem, do que gostam, temos memorias em conjunto e boas lembranca do tempo em que eram pequenos. Eles lembram de detalhes dos dias comuns que eu mesma ja esqueci, mas que tenho certeza que fazem deles os adolescentes "decentes"de hoje. Tiveram baba qdo eu trabalhei, mas lembram pouco dela. Entao, querida, continue se divertindo com seus pequenos, mesmo que os outrs achem que voce estah tendo trabalho. A vida eh curta, a infancia deles passa rapido demais (meu marido lamenta isso todos os dias, morre de saudades dos nossos oequenos), e saiba que vc tem o enorme privilegio de conviver com as pessoas que certamente voce mais ama no mundo. Aproveite-os!!! Bjs!!

Anonymous said...

Entendo sua posição, mas acho que vc deveria procurar outro grupo pra se relacionar, talvez o problema esteja aí. Tenho varias amigas muito bacanas, inclusive que trabalham e nem por isso tem esse perfil das pessoas q vc ta convivendo. Fica a dica!

Renee said...

Juliana,

Entendo completamente... e concordo em gênero, número e grau!!!

Moro em NY e quando estava passando férias no Brasil, eu era a única mãe no parquinho. As babás primeiro perguntaram se a minha patroa era bacana e, depois, se espantaram quando eu sentei no chão para brincar com as crianças.

Fiquei absolutamente chocada quando conheci uma mãe com DOIS filhos e TRÊS babás!!!

É como eu sempre digo: tem muita gente que quer ter filhos, mas não quer ser mãe.

Boa sorte para vc!

Daniela said...

Infelizmente a maternidade ñ "bate" do mesmo jeito em todas as mulheres, e quem acaba sofrendo com isso são as crianças. Tenho certeza que filhos de mães presentes são mais felizes, mais seguros e inclusive independentes.
Sou uma das ETs, frequentemente cansada, mas com o coração em paz.
Tenho certeza q uma ET ñ se abalará por muito tempo com os comentários maldosos, e q logo entenderá, aceitará e se adaptará a nova situação de vida. Continue desabafando, pq só faz bem!

Marcela said...

Não conhecia seu blog e entrei nele por conta de um post do blog "NY with kids" que acompanho bastante.
Entendo o que está passando e sofrendo e, exatamente por isso, resolvi escrever.
Nunca morei em NY - meu marido está lá a trabalho, por 6 meses, e passo temporadas lá com as crianças, sempre que posso.
Sou gaúcha, morei quase 10 anos na Espanha e depois voltei para o Brasil - porque eu quis. Hoje moro em SP, há uns 5 anos, onde tive meus dois filhos e onde trabalho (o dia inteiro).
Também me acostumei a uma vida sem grandes exibicionismos, principalmente pelo tempo que passei fora e, por isso, mesmo aqui, continuo mantendo a minha rotina e os meus princípios.
Meus filhos ficam com babá durante todo o dia durante a semana, porque trabalho fora. Mas é só. Eles só estão com a babá durante o tempo em que estou no trabalho. Não tenho babá para dormir, não tenho babá nos finais de semana, e tudo por opção. Porque quero estar só com eles, todo o tempo que eu puder.
Quando conto isso para algumas pessoas aqui, todo mundo acha estranho, mas eu nem discuto: encerro o assunto dizendo que cada familia tem a melhor forma de se estruturar, respeitando também aquelas mães que nunca provaram essa experiencia, porque acham que isso seria renunciar a uma porção de coisas (esquecendo tudo o que isso, na verdade, proporciona para mães e filhos).
O que posso dizer é que os primeios meses/anos, depois da volta, são dificeis. Mas a nossa essencia, aquilo que se é, não deve mudar por conta do lugar.
É possível sim, viver uma vida super agradável por aqui.
Cruzo com essa gente hipócrita, metida e grosseira todos os dias, principalmente na escola dos meus filhos. Isso já me incomodou, mas, com o tempo, aprendi a ignorar. Gente assim existe, na verdade, em qualquer lugar.
E por aqui também há uma porção de pessoas legais, que levam a vida de uma forma bem mais simples e verdadeira. Que sabem dar limites a seus filhos e valorizam as amizades.
Animo.
Nosso lugar está dentro de nós.

Camilla Carvalho said...

Vi seu artigo através da Paula. Morei em NY 6 anos, tive meus 2 filhos lá e me mudei pra SP (minha cidade) por opção há 3 anos....hoje estou te escrevendo enquanto minha casa está sendo empacotada pois etamos voltando "lá pra cima", desta vez Montreal, CA (cidade do meu marido). Me identifiquei 100% com tudo o que vc disse...e sinto exatamente o mesmo, e pelos mesmos motivos resolvemos nos mudar de novo. E cada vez tenho mais certeza de que uma vez que a gente mora fora a gente deixa de pertencer a um lugar só. Camilla

Priscila said...

Juliana,

Não nos conhecemos e confesso que estou lendo o seu blog pela primeira vez hoje por causa de um link que a Paula do NYwithkids postou. Estou surpresa por saber que existem mais ETs por ai... Morei 6 anos em NYC e voltei ao Brasil há um ano e meio. O meu "voltar para casa" foi como o seu...e ainda está sendo. No meu caso, uma paulistana da gema, tem sido bastante dificil, principalmente porque voltei para o Brasil para morar na cidade maravilhosa, onde eu nunca tinha morado... todas as minhas amigas de SP disseram que eu era uma maluca de voltar para morar no Rio... mas a vida decidiu assim e nossos trabalhos nos trouxeram ao Rio. Saí de NYC contrariada, com o coração partido e sonhando com o dia que poderei voltar...

Com o tempo fui me acostumando com os problemas do Brasil e conseguindo enxergar um pouco mais da beleza do dia-a-dia daqui... Ainda sou taxada como uma ET por quase todo mundo... mas a realidade é que não me importo. Como alguém comentou por aqui se tentássemos explicar eles não entenderiam.

Há 2 meses tive um filho... minha babá está vindo só dia sim dia a não, para que meu filho se acostume com a presença dela já que terei que voltar a trabalhar daqui a pouquinho... mas por opção faço tudo sozinha com meu marido (mais sozinha do que com ele) durante as noites e finais de semana. estou morta, cheia de olheiras, mas muito feliz! não me importe se achem q eu sou louca porque não tenho a folguista da babá aos sábados e domingos... Faço tudo isso muito feliz!!! e graças a Deus consigo ir para NYC umas 3-4vezes ao ano, mesmo que seja só por uns 2-3 dias para um choque de realidade!! estou indo sempre a SP nos finais de semana. Quem sabe não marcamos um café com todas as ETs por aí e ajudamos a todas nós a achar nossos portos-seguros...

um grande beijo e parabéns pelo blog!

Priscila

crivorotscigliano.com said...

Ju, ainda nao tinha lido. te entendo. mas acho q SP é uma metropole como ny e tem de todas as tribos (ou melhor, diversos exercitos). procure a sua, vc vai achar. eu agradeço sempre a oportunidade de ter sido mae fora, aprendido uma outra realidade e poder juntar o q acho bom da nossa cultura c a americana. a felicidade esta dentro da gente. procure fazer do limao a limonada. e tocar a vida. bjs no coracao, me ligue! Sil

Giseli said...

Adorei seu depoimento, achava que era so eu que achava isso! Qdo vou ao Brasil a minhas amigas me perguntam como faco pra viver sem baba, pq os filhos nao escutam bla bla bla. As criancas tratam as babas com o lema "minha Mae te paga", meu deus eu iris ficar Tao triste se meu filho usasse isso com outro ser Humano. Força viu, nao caiu na maioria, continua educando teus filhos , e o melhor presente que vc poder dar!

Anonymous said...

Concordo com você com relação às babás... é muito triste mesmo. Minha filha mora no exterior e eu pretendo mudar para lá, onde também não há babás, felizmente (mas avós, o que é bem melhor). De qualquer forma você é que está certa, não deixe ninguém lhe dizer o contrário. As crianças valem mais do que grifes, babás e outras baboseiras.
Boa sorte em sua volta e que tudo corra bem pra você, sempre.