Tuesday, May 08, 2012

O exército de branco - parte II

Depois do bafafá do último post, que eu já antecipava, refleti muito sobre o assunto "babás". Quero deixar claro aqui que não tenho nada, absolutamente nada, contra babás. Acho que nenhuma mãe consegue cuidar dos filhos 100% sozinha. Existe sempre o dia que você fica doente, precisa ir resolver aquele problemão no banco, fazer matrícula do filho mais velho na escola... Eu mesma, tenho abusado da ajuda extra que posso ter desde que voltei ao Brasil. Não tenho uma pessoa que cuide exclusivamente dos meus filhos, mas hoje em dia, por exemplo, posso me dar o luxo de correr, coisa que não fazia há mais de 3 anos. Graças a ajuda da moça que trabalha comigo aqui em casa e desce com o Ben para o parquinho, posso dar uma corridinha e cuidar dos meus quilinhos extras. No entanto, sou contra gente que acha que contratar uma pessoa para criar o filho é o que deve ser feito. Acho que os papéis estão completamente invertidos por aqui.

Outro dia, no local onde os meninos fazem natação, uma babá simpaticíssima com a qual sempre bato papo falou para mim assim: "Dona Juliana, outro dia eu e o Orlando (motorista da casa onde ela trabalha) estávamos falando da senhora. A gente acha tão bonito ver uma mãe cuidando de um filho..." Caí na gargalhada. Hein? Bonito uma mãe cuidando de um filho? Aí ela ainda completou: "Mas é mesmo, nunca vi aqui nenhuma mãe cuidar do filho o dia todo, como a senhora faz, só com babá".

Vai me dizer que não tá tudo torto?

8 comments:

Carol P said...

fantastico !!!!!!!!!
Vou lah ler seu primeiro post.
mas concordo em genero e numero com suas palavras. Ai no Brasil esta tudo invertido.
Nao entendo querem ter filhos mas nao querem cuidar, entao qual eh a logica.

Liliane Arend said...

está mto louco isso no Brasil né!?
quando morava no Brasil resolvi não ter babá qdo meu filho nasceu, com 4 meses dele nascido percebi que não dava conta de tudo então contratei uma moça para me ajudar com as coisas dele (comidinha, roupa, etc) mas quem dava banho, trocava, brincava, fazia dormir era eu.
Ela ficou apenas 3 meses conosco. Não curti.
Depois dele mais crescido decidi que eu precisava de mais tempo pra mim, contratei uma mais 'sênior' mas mesmo assim eu ficava com ele pq achava que quando ela brincava com ele depois de 20 min ligava o DVD ... mas era ótima com comidinhas pra ele. Ficou mais 6 meses apenas ...
Depois viemos para Londres e hoje acho que eu teria sim uma pessoa para me ajudar, mas seria como aqui umas 2 horinhas por dia só para não 'me deixar' de lado, como aconteceu da 1a vez.
Qcho que oq falta no Brasil é o bom senso, o equilíbrio ... já ouvi de uma amiga, mãe de 1 menino de 7 anos e gêmeos recém nascidos: ah fui viajar com o marido e o filho mais velho e deixei a babá com os gêmeos com a seguinte missão: quando eu voltar não quero eles mais chupando chupeta e nem acordando a noite para mamar ...
Alowwwww, pq mesmo essa pessoa teve filhos?
Li
londrescomfilhos.blogspot.com

armário de cores said...

Tá sim Juju. Tortíssimo. Mesmo trabalhando fora o dia todo, somos eu e Toninho que fazemos o dever de casa com elas, vamos para a cama todos juntos, lemos histórias, conversamos sobre o dia, acordamos mais cedo pra tomar café, quando dá, almoçamos em casa, e fim de semana somos exclusivos delas. Ligo todos os dias antes da escola. Acho que o ponto é esse.

Anonymous said...

O pior na minha opiniao eh a famosa "baba
substituta do fim de semana".
Porque durante a semana , muitas pessoas , tem a baba pq trabalham o dia todo. Eu tenho uma amiga que eh assim, pq ela trabalha muito mesmo. Mas a noite ela que cuida do filho.
Bom eu nunca pude ter uma baba aqui nos EUA. Tive baby sitter para sair a noite e ajuda esporadica dos sogros e dos meus pais quando eles vinham visitar. Mas essa maternidade sem ajuda me traumatizou por toda a vida. Se eu estivesse no Brasil eu acho que a maternidade teria sido ma experiencia mais prazeirosa.
Agora esta tudo bem pq eles ja estao em uma idade boa e todos os dois na escolinha. Entao a minha vida mudou.Nao estou fazendo apologia da baba 24/24, nem de maes que nem olham para os seus filhos.

Mamãe Elisa said...

Ju, já queria ter escrito no outro post, mas vai nesse mesmo... Vou parecer bairrista, mas... Você está no lugar errado mesmo! São Paulo me parece outro mundo! Eu aqui em Florianópolis, trabalho o dia todo, mas sou mãe em tempo integral também. Temos uma ajudante pra casa e nos viramos pra dar conta de tudo. Quando não posso é marido, quando ele não pode sou eu. E, temos uma empresa com 120 funcionários em que fazemos questão que acompanhem festinha de escola, natação, se precisar buscar o filhote na escola, tranquilo e tal. Acho que infelizmente para justificar-se muitas pessoas "usam" a desculpa do trabalho... Com poucas excessões, não precisariam ser assim, mas parecem fazer questão. Aqui a babá é a excessão! E as famílias vão se virando... Você está absolutamente certa em suas colocações, mas como já visses, vais ser detonada, porque depois que somos mães, quem quer ouvir a verdade? Não as mães não é? Reclame que seu filho dorme pouco pra ver um monte de alfinetada em você! Não é brinquedo a máscara que as pessoas tem que botar pra parecer a "família do comercial de margarina"!!! Beijos e muito boa sorte ou se preferir, venha pra Floripa - kkkk!

Anonymous said...

Ju, e a folguista da folguista???? Eu tenho baba, todo dia aqui, voce sabe. Mas nao e 24h. Estou com problema de pressao alta (e estava com suspeita de glaucoma) pq estava dormindo 4h / noite. BAbi acordava, eu tinha que estudar. Recomendacao medica para dormir 7h/ mnoite, mas nao da.
Isto pq tenho ajuda durante o dia. Para a ir a aula, para que eu possa estudar, pq o curso me demanda. MAS eu fico em casa. sei o que comem, sou em quem levo a todos os eventos, aulas, passeios parques, estou PRESENTE. diferente do que acontece ai. AS babas nao me substituem, sao apenas extensao das minhas maos. E tudo torto ai. E esta convivencia com criancas mal educadas que me preocupa. E e ruim assim mesmo. bjs Paty (euzinha mesmo de novo. preguica de fazer log in ) de LA.

Carina said...

Eu gostei muito do que voce escreveu.
So quem mora fora e longe da familia sabe o que e isto que voce esta ou sentiu.
Eu moro na Phila a 5 anos tenho uma filha de 2 anos e meio e me dedico periodo integral a ela.
Quando optei em ter filho sabia que seria assim.
Nao temos tempo para sair com o marido, ir em restaurantes sem filhos, cinema, etc.

Me adimiro muito estas pessoas "metendo" o pau em voce sem saber da missa a metade.
Falo sempre queria ver muita "dondoca" do Brasil colocando a mao na massa.
Limpando, casa, cozinhando, cuidando de filho, lavando e passando......ja teriam surtado.
Pedido ajuda da mamae ou do papai.
Teria voltado para o Brasil correndo......
Nossa vida aqui nao e facil , mas GARANTO que e imensamente gratificante poder cuidar exclusivamente de um FILHO.

Sei que meu dia de voltar para o Brasil tb vai chegar e eu sei que vou sentir um choque cultural muito grande.
Vou ter sim "empregada" e ate contar com uma ajuda extra. Mas nao quero ser "estas" maes que largam seus filhos com a baba e vai passear com as amigas o dia todo.
Ja vi filhas de amigas char a baba de mae. Isto para mim sempre foi a morte. Acho terrivel!!!!!

Eu espero do fundo do coracao que voce se encontre em Sampa, pq e uma cidade LINDA cheia de encanto.

Bjs

Unknown said...

Adorei os dois posts.. Também sou umas dessas mães ET´s que não tem babá e fazem tudo com o filho. Trabalho e a "minha ajudante" é só pra dia de semana até ele chegar da escola, de resto nos dividimos entre eu e meu marido.. não tem preço nossos momentos juntos. Achei super engraçado esse seu último post pq eu estava na casa de uma amiga e babá estava dando comida pra menina, e fui colocar pro meu filho e ele não quis comer. A babá me perguntou:" mas a senhora sabe se ele gosta dessa comida?" Ué, gosta claro que sei.. Aí ela continuou.. "Ah, talvez a babá que desse comida a ele e senhora não soubesse". Provavelmente era o que acontecia na casa dela.. E em outro momento a mesma babá comentou com essa minha amiga.. "Nossa, essa sua amiga não deve ter dinheiro, nunca a vi com uma babá." É isso aí, o que era pra ser natural e saudável se tornou uma obssessão pelas mães que não querem ter trabalho nenhum. Veja bem, não faço apologia a não ter babá, tb tenho quem me ajude, faço a minha academia, saio com meu marido a noite, mas alguém pra educar meu filho acho demais! E pode ter certea que vou continuar a participar de tudo com ele, inclusive nas festinhas onde sou a única fora do exército branco. rs..

Fernanda C.