Friday, July 01, 2011

Reconhecimento

E lá venho eu de novo com "esse blog não morreu e blá, blá, blá...". A verdade é que a vida é super corrida e depois de ter mais um filho, quando chega o fim do dia, se eu tiver forças para tomar um banho, já é uma vitória.

Ontem estava visitando a Design Mom e li um post super interessante da mãe dela, que também tem um blog. Ela fala sobre a vida de mãe. Ela transcreveu um texto que havia escrito em 1973 sobre as dificuldades dela em ser dona de casa e mãe, na época, de 4 filhos. Impressionante como o tempo passa e os sentimentos, ou a essência deles, continuam os mesmos.

Muitas vezes sinto o que ela relatou: a vida de mãe e dona de casa é muito difícil. As coisas que a gente faz todos os dias, as fraldas trocadas, as frutas descascadas, os banhos, as pirraças, os choros. Só nós sabemos o quão difícil é. No meu caso, dou graças a Deus todos os dias por ter a possibilidade de estar passando esses momentos com os meus filhos e não ter que passar essa "batata quente" pra ninguém. Sim, é difícil, mas eu prefiro fazer do que outra pessoa fazer por mim.

Leia o que ela escreveu: "Where are all the fans?! Why couldn't someone be there to applaud, or at least nod in admiration...as I deftly, maternally fit a diaper? Or why not a chorus of ooh's and ah's as I place the pot of Spring Garden on the table, with murmured comments around about my ability to balance budget, nutrition and time in one clever meal? I would be modest....[in the face of praise]. An audience is all I require for the maintenance of....patience, wisdom and creativity. In a musical voice I can say to the child bouncing off the couch, "Furniture is not for jumping." The child is bored? "Why, here, Sweetheart. Mother has made this cardboard box into a robot." Exclamations of awe and surprise from the fans. But [the Mom, staying at home in] obscurity has no fans.... If the clean clothes are mounded high on the folding table and the floor goes a few weeks unscrubbed, who will know? If my voice demands harshly, "Get this robe picked up!" no one can condemn." E é exatamente isso que eu sinto: falta de reconhecimento. As vezes o dia parece ser tão difícil que me sinto como se tivesse completado uma maratona, só que sem ninguém gritando o meu nome, segurando cartazes de incentivo, me dizendo o quão demais eu sou. A vida de mãe é dura. Só nós sabemos o que rola entre quatro paredes, os apertos que passamos, e também a felicidade que sentimos.

A mãe da Design Mom segue explicando que blogs dimiuniram um pouco essa angústia sentida por nós mães-donas-de-casa, pois depois deles todas passamos a ter um público, fãs e cúmplices. Concordo pleanamente. Esse blog, que antes era um relato da minha vida em NYC, depois dos filhos passou muito a ser onde venho desabafar sobre minhas dúvidas e angústias de ser mãe.

Meu marido está viajando há duas semanas. Ou seja, há duas semanas acordo e coloco as crianças para dormir sozinha. Nenhuma ida ao banheiro, nenhum banho, nenhum telefonema é fácil. E olha, não sou de ficar reclamando, não. Mas seria tão bom que a gente fosse entendida, elogiada, compreendida, não?

Então, minha gente, se eu ando sumida, é porque a barra tá pesada mesmo. Nem tempo de desabafar com vocês eu tenho tido.

7 comments:

Paty said...

Ju querida, sei bem o que você esta passando... O meu passou 3 semanas no Brasil, e eu gravida, em Finals nos estudos, desenhando, nao foi fácil. E olha que eu tenho ajuda aqui... Assim que ele voltar, acho que você merece pelo menos meio dia em um Spa para descansar!!! Vou precisar MUUUUUITO dos seus conselhos. Bjs queridas forca ai!!!

Nutri Bobagens said...

A profissão mãe deveria ser a mais reconhecida, é a formadora por ela que tudo passa.
Parabéns.

bjoS2

armário de cores said...

Ju,
Realmente não é moleza, e às vezes penso como damos conta de tanta coisa ao mesmo tempo. Trabalho fora, das 9h às 19h, tenho meu hobby, que é o Armário de Cores, duas filhas e tudo o que vem com elas, casa, marido... Mas sabe que no fim de tudo tenho orgulho de mim mesma, de conseguir conciliar, deixar as coisas em ordem e sentir que o equilibrio de tudo passa por mim? Claro que tenho o apoio incondicional do Toninho, meu herói de verdade. Talvez seja por isso. Me sinto valorizada.

Bjs
Lele

Pat in NYC said...

Sei como e isso!!! Meus filhostem 1.5meses de diferenca um do outro. as vezes acho que vou ter um colapso. E tbm sinto falta no final da maratona diaria, a valorizacao devida. Minha mae teve que criar 4 e fico imaginando como???? bjos...

Anonymous said...

Juju,

Engraçado né, pois além do reconhecimento ser muito aquém do que fazemos, sinto um preconceito absurdo por ser dona de casa.
Numa época que vc é o que vc faz( e tem, óbvio), estar em casa ( e olha que estou estudando bastante para concurso e trabalhei dos 18 anos aos 32 anos), parece-me um atestado de decadência e passaporte para um mundo estigmatizado. E tem mais, o preconceito, vem de muitas mulheres que no fundo não tem coragem o suficiente para largarem o trabalho em prol dos filhos, por serem absurdamente dependentes do mundo consumista. Cada um que faça as suas escolhas com consciência. Mas ainda acredito que uma mãe presente, é a base de toda estrutura emocional-afetiva de uma criança. Parabéns mais uma vez pela coragem de tocar em um assunto tão delicado. grande beijo Betânia

Carla Cavellucci Landi said...

Ju, amei este post seu!! E concordo com o Anonimo, sobre a mae que trabalha, alem de nao ter aplausos e reconhecimento, ainda sofre preconceito. Como ser mae e cuidar dos filhos fosse sinonimo de emburrecimento e alienacao. Eu trabalhei a vida toda, so parei 1 ano quando o Lucas nasceu mas logo que ele completou 1 ano e meio voltei, e parei depois, de forma definitiva (no mercado formal) qdo meu cacula estava com 4. Desde entao, sinto um enorme preconceito qdo digo que nao trabalho (fora, pois faco um trabalho virtual, alem do de mae e esposa) e tenho que aguentar comentarios sugerindo que eu sou uma fracassada, ou um 'veja a Fulana, ganha um otimo salario...". Doi, e muito. Ja ouvi ate um 'ah, entao voce pode ficar fazendo compras" (????) E quando alguem pergunta se eu nao faco "nada"?
O que segura a minha onda eh saber que o reconhecimento vem de alguma forma dos nossos filhos. Quando eles nos abracam qdo chegam da escola, quando querem que a gente sente com eles para ver um filme, quando deitam sua cabeca no nosso colo, quando pedem pra gente fazer aquela comida que eles amam... Olha ai, ate ja comecei a chorar!!! Nossos filhos crescem rapido demais e nos escapam pelas maos, entao eu agradeco a oportunidade de estar com eles a cada segundo.Uma roupa que voce compre, um restaurante que voce va nao substituem o estar presente no dia a dia dos nossos filhos, construindo com eles a memoria de suas vidas.
Um beijo, amei conhecer os seus lindos meninos, que te agarraram pra nao largar hoje la na piscina, lembra? ... esses momentos sao um privilegio para poucas.

Carol P said...

Talvez eu esteja fugindo um pouco do tema do post. Mas as meninas que falam do preconceito da mae que nao trabalha, de alguma forma estao sendo preconceituosas com as maes que trabalham.
Eu trabalho pq quero e sofro precoceito das q nao trabalham, e tenho q escutar q deposito minha filha na creche. Eu acho que tem mulher que nao tem oportunidade de trabalhar, outras param por opcao, otras trabalham por opcao enfim, quem nao tem opcao eh q deveria reclamar, mas vejo que rola critica demais de ambos os lados. Eu fiquei sem trabalhar e decidi voltar pq isso me faz mais feliz, e uma mae feliz e sem frustacoes faz a familia toda mais feliz.
Reconhecimento todo mundo quer, e acho que como mae o melhor reconhecimento eh o amor dos filhos.
Uma mae frustrada isso eh chata vamos combinar, pois passa a criticar tudo e a todos.
Acho que a mulher que pode escolher o que quer fazer, ficar em casa ou nao, nao dever ser a frustada nem criticar a vizinha.
Entao se a fulana voltou a trabalhar pelo $$ problema dela, se a beltrana nao consegue desmamar das crias e adora encostar a barriga no fogao problema dela, ambos problemas nao sao meus e nao vou criticar.
Enfim estar com as criancas sozinhas eh brabo, eu q diga.
Beijos Carol P