Thursday, October 11, 2007

Cade?

Aconteceu comigo. Parece mentira. Depois de duas semanas no Brasil para renovar nossos vistos, voltamos para casa. A entrevista correu super-bem. Quase nao nos fizeram perguntas. Facil, facil. O voo de volta para casa nao poderia ter sido mais tranquilo. Na imigracao o agente chegou ate a nos falar “welcome home” depois de carimbar nossos passaportes. No caminho para casa, transito super-tranquilo. Em meia hora estavamos no saguao do nosso predio. Mal sabia eu que ai comecava o meu desespero.

Meu visto expirou em setembro e, assim, fui forcada a deixar o pais. Tudo tinha se encaixado perfeitamente. O casamento de uma das minhas melhores amigas caia exatamente no dia em que meu visto expirava e o casamento da minha cunhada seria dois fins-de-semana depois. Dessa forma, eu seria obrigada a estar no Brasil numa epoca bem propicia.

No entanto, a empresa para a qual eu trabalho estava bastante atarefada e eu fui contratada como freelancer durante esse tempo em que estivesse fora. Me deram um computador novinho para levar na minha viagem e durante essas duas semanas longe dos EUA eu iria trabalhar remotamente. Assim foi. Trabalhei em dois projetos bem complicadinhos , mas tudo correu bem. A angustia de nao ter o meu tempo completamente livre enquanto estava no Brasil foi grande, mas no final tudo deu certo.

Em alguns dias era mais dificil focar no trabalho e ai eu rumava para agencia de publicidade de amigos, escritorio de consultoria do pai, qualquer lugar que me fizesse ser mais produtiva. No fim das contas tudo deu certo e eu, perfeccionista que sou, consegui entregar todos os projetos que havia prometido para o meu time de NYC em tempo.

Quando sai do taxi com aquele bando de malas, depois de uma viagem um tanto quanto longa e uma noite mal dormida, o que eu mais queria era um banho quentinho e uma cama, a minha cama, para tirar uma soneca. Foi ai que me dei conta de que havia deixado o bendito do computadr dentro do taxi que acabara de partir.

Desespero. Um computador que nao era meu, novinho em folha, repleto de trabalhos que me levaram horas para criar e deveriam ser apresentados para clientes nos proximos dias. NYC, um milhao de taxis nessa cidade. Infinitas possibilidades de caminhos e direcoes. Nunca mais eu veria aquele computador prateadinho que para mim era tao valioso, pensei.

Por alguns minutos eu nao consegui acreditar em tanta estupidez. Mas me culpar nao ia trazer o computador de volta. Naquela hora eu precisava pensar no que deveria ser feito. E rapido. A cada minuto que se passava, mais longe de mim o aparelhinho se encontrava. Comecei a ligar para todos os numeros que passavam pela minha cabeca que poderiam ser uteis. Achados e perdidos da cidade de NY, aeroporto, taxistas do meu bairro… A pessoa que atendeu quando liguei para o numero de achados e perdidos do sistema de transporte da cidade de NY me informou que sete dias uteis seriam necessaries ate que eles me contactessem com uma resposta. Nesse momento eu ja estava num taxi a caminho do aeroporto, tamanho meu desespero. Liguei tambem para o aeroporto, que me transferiu para o terminal no qual eu havia chegado, que me transferiu para o setor de taxis do mesmo. Quando eu ja havia explicado grande parte do meu drama, a ligacao caiu. Odio. Pelo menos consegui chegar ao JFK em menos de 30 minutos (um milagre!).

Quando coloquei meus pes no terminal 8, a minha historia ja havia se tornado famosa. Um senhor riu quando eu me identifquei. Um funcionario entao me informou que o taxi que eu havia pegado tinha terminado de chegar de volta no galpao do aeroporto (eu havia informado numero que havia no meu recibo a eles no telefone). Parecia mentira. Ele me pediu que esperasse um pouquinho, pois ja, ja o taxi voltaria com o meu computador. Cinco minutos se passaram e o mesmo arabe que me havia me levado para casa uma hora antes apareceu. Ele ria de todo o drama. Eu entrei rapido no carro a procura do meu querido laptop. La estava ele, caido no chao. Abracei a malinha preta que o continha como se fosse um filho. Suspirei e, com o mesmo motorista, voltei para o Brooklyn feliz.

1 comment:

robertinha said...

essas coisas so acontecem aqui
melhor refrasear
essas coisas nao acontecem no brasil
hehe